Novelas da Globo quebram preconceitos

Não faz muito tempo, a discussão sobre papéis de destaque para negros em novelas era algo que gerava polêmica. Este ano de 2009, porém, vem para marcar uma ruptura em preconceitos e tradicionalismos sem sentido. Nas três novelas da Rede Globo que estão no ar atualmente, três atrizes negras dão vida às protagonistas.
Primeiro, é em “Malhação”, que vai ao ar no final da tarde de segunda à sexta-feira, com a atriz Élida Muniz fazendo o papel de Tati. Depois, é a vez de Camila Pitanga se destacar na trama das sete, “Cama de Gato” como Rose. Por fim, na faixa de maior audiência da televisão brasileira, Taís Araújo encarna mais uma “Helena” de Manoel Carlos, a primeira atriz negra a fazer este já tradicional papel nos folhetins do autor carioca.
A atriz Ruth de Souza, de 88 anos, sempre esteve presente nas produções televisivas do Brasil. E sempre que podia reclamava dos papéis dados aos atores negros. Agora, ela comemora a transformação que está em curso. “Está na moda. Estão acreditando que podemos fazer. Até então, éramos vistos como Pai João, Mãe Maria e o moleque de recados”, diz a atriz, que protagonizou “A Cabana do Pai Tomás” (1969), em entrevista à Folha de S. Paulo.
Recentemente, Camila Pitanga – que já havia feito papéis de destaque nas novelas da emissora carioca, mas nunca dando vida a um personagem central da trama – considerou esta mudança “uma conquista histórica”. Outro ator negro de destaque na telinha e no cinema tupiniquim, Lázaro Ramos disse não gostar do tema. “Não gosto de levar esse debate para a questão social, da diversidade. Não é questão social, mas artística”, afirmou.
Para Silvio de Abreu, um dos autores mais requisitados pela Rede Globo, a mudança não aconteceria se não existisse talentos. “O que muda não é a cor da pele, mas o interesse do autor. Ninguém vai arriscar escrever um papel importante se não tiver ator para interpretá-lo”, opina.



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